Em Bariri (SP), união de produtores e usina permitiu instituição de protocolo ambiental. Álcool será exportado

A
adoção de um protocolo de boas práticas agrícolas, sociais e ambientais na
cadeia produtiva da cana-de-açúcar começa a dar os primeiros resultados em
Bariri (SP). Trinta pequenos e médios produtores da Associação dos Fornecedores
de Cana-de-Açúcar de Bariri e Região (Assobari) estão vendendo a cana por 5% a
mais que o valor de mercado, bônus pago pela Usina Della Coletta Bionergia aos
produtores que entregam a cana certificada pelo protocolo, que acabou de
completar um ano.
O protocolo acompanha todo o processo de produção,
impondo rígidas normas de controle agrícola, ambiental e social no campo e na
indústria. Essas normas são seguidas desde a preparação do solo, plantio e
colheita, até a moagem, passando pela transformação e produção do álcool e
posterior embarque. Até agora, foram entregues 178 mil toneladas, transformados
em 16 milhões de litros do álcool "politicamente correto".
"Ainda não
comercializamos esse álcool, mas estamos pagando o bônus, a título de
incentivo", diz o diretor-presidente da usina, José Roberto Della Coletta. Ele
diz que o álcool ainda não foi vendido porque o protocolo vai passar por mais
uma auditoria independente para ser aceito pelos compradores, o que deve ocorrer
antes do fim da safra.
As auditorias foram contratadas por uma
petrolífera do Reino Unido, cujo presidente, antes de enviar os auditores,
esteve pessoalmente, com outros diretores da empresa, em Bariri para conhecer o
projeto. "A reação não poderia ter sido melhor. Vamos entregar um produto
diferenciado, com valor agregado, cujos lucros serão divididos entre todos."
A expectativa é a de que na próxima safra sejam embarcados os primeiros
carregamentos do álcool sustentado para o Reino Unido, onde a partir de 2012
começa a ser exigida a entrada somente de etanol produzido por meio de boas
práticas. "Há grande chance de que o protocolo possa ser adotado por outros
países da União Europeia", diz o consultor Edegar de Oliveira Rosa, da
OIA-Brasil, certificadora responsável pelo protocolo.
REDUÇÃO DE
CUSTOS
Mas não é somente o pagamento do bônus que anima os produtores. O
bônus, por sinal, perde na importância pela revolução feita nas propriedades. "A
redução de custos, o controle de gestão da propriedade, o conhecimento das
condições do solo e a segurança com relação às legislações ambiental e
trabalhista, são apontados como fatores mais importantes", diz o presidente da
Assobari, Ulisses Fanton.
Um dos exemplos foi dado pelos irmãos João e
Luís Carlos Ticianelli, do Sítio Maria Eliza, de 67 hectares, 43 deles com cana
certificada. "Só o que economizei com herbicida paga o custo da certificação",
diz João. "Agora dá gosto plantar", diz Luís Carlos. Os irmãos entregaram neste
ano 5.300 toneladas de cana certificada. "Neste ano, com o pagamento do bônus,
reduzirei o custo da certificação em 50%, mas a importância maior está na
redução de outros custos e na certeza de ter uma propriedade exemplar", diz um
dos fundadores da Assobari, Acácio Masson Filho, que plantou 230 hectares de
cana certificada, e há dois meses recebeu a visita de diretores da Green Energy.
"Eles chegaram sem avisar, mas não houve problema, porque sei que está tudo em
ordem", diz Masson Filho. No último sábado, os 30 produtores receberam o
certificado do protocolo, num total de 2.800 hectares de área de plantio. "A
perspectiva é de que esse grupo estaria certificado em dois anos e meio, mas
conseguiram fazer isso em apenas um ano, o que nos deixou muito satisfeitos",
diz Fanton.